situação anêmona/anemoníaca
tem máculas, tentáculos
marasmo e heresia/maresia
insalubre e lúgubre
tempo ósseo/ocioso
a vida toda muda
imóvel sem falar
ou mover-se, danoso
...
danou-se o peixe/palhaço
pobre parece preso
pela predadora perigosa
ou não: prestando atenção:
de antepasso o peixe sabia
que sendo palhaço se protegia
e caia na graça do séssil
salvando-se de ser fóssil
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25 de abril de 2010
22 de abril de 2010
porra, as moscas
da minha louça
suja, sujas, sujo
encomodam, toscas
desapareceram, finjo
nada...ainda estão, todas
voando, loucas
pela sujeira da minha louça
da minha louça
suja, sujas, sujo
encomodam, toscas
desapareceram, finjo
nada...ainda estão, todas
voando, loucas
pela sujeira da minha louça
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caracol
lesmando a calçada
se manda, sem nada
que eu veja além
de torrar no sol
sem lamento
câmera lenta
no aconchego da concha
concha? casca, espiral
muito bonita por sinal
encosta a casa nas costas
e veja só: não precisa de aspirador de pó
às vezes eu me identifico com um caracol
lesmando a calçada
se manda, sem nada
que eu veja além
de torrar no sol
sem lamento
câmera lenta
no aconchego da concha
concha? casca, espiral
muito bonita por sinal
encosta a casa nas costas
e veja só: não precisa de aspirador de pó
às vezes eu me identifico com um caracol
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2 de fevereiro de 2010
rocambole de feijão
seus argumentos estão
saturados de gordura trans
transmitindo momentos
de aflição
minha mãe que assistiu
o piá que se entupiu
de batata frita se fritou
sem feijão não tem
bucho que aguente
nem bicho que se sustente
seu sotaque crocante
palavriado doce
(antes fosse)
não diz nada de importante
hidrogenada nada nada não
estragou-me a refeição
temperamento agressivo
eloquente discursivo
afobamento agudo
fala sem fim come só meio
e eu ficando barrigudo
e de saco cheio
saturados de gordura trans
transmitindo momentos
de aflição
minha mãe que assistiu
o piá que se entupiu
de batata frita se fritou
sem feijão não tem
bucho que aguente
nem bicho que se sustente
seu sotaque crocante
palavriado doce
(antes fosse)
não diz nada de importante
hidrogenada nada nada não
estragou-me a refeição
temperamento agressivo
eloquente discursivo
afobamento agudo
fala sem fim come só meio
e eu ficando barrigudo
e de saco cheio
15 de julho de 2009
3 de maio de 2009
o vulto do ovo da ave voa veloz, veja voce que inveja a verdade de voar vendo vento vibrar vossa vontade de vida
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21 de março de 2009
18 de janeiro de 2009
Perdição II
Saí do quarto abafado - já estava ficando chateado
As bebidas de lá não me matavam a sede
O que havia lá pra comer não me matava, quando tinha, a fome
Foi bom ter entrado, se assim não fosse
Nunca teria saído, não assim
Altivo
Lá pensei tanto, falei tanto
Cantei tanto, em todo canto
Meu cabelo cresceu
Meu espírito cresceu
Cresceu até
a vontade de mudar; mudei
Encontrei-me criminoso, incriminei-me
Plantei pecado, colhi a pena
E valeu a pena
No meio de tanta coisa que era incerta, acertei
O que era vago se encheu, enchi a mochila
Depois que vi o sol nascendo cheio de ar de manhã
Saí sorrateiro pela porta dos fundos
Em direção à sombra perfumada
Ficar deitado ou passear pelo gramado
Tanto faz
O ar fresco com cheiro de liberdade
Um pequena liberdade que encontrei, por fim
Me libertei, enfim
As bebidas de lá não me matavam a sede
O que havia lá pra comer não me matava, quando tinha, a fome
Foi bom ter entrado, se assim não fosse
Nunca teria saído, não assim
Altivo
Lá pensei tanto, falei tanto
Cantei tanto, em todo canto
Meu cabelo cresceu
Meu espírito cresceu
Cresceu até
a vontade de mudar; mudei
Encontrei-me criminoso, incriminei-me
Plantei pecado, colhi a pena
E valeu a pena
No meio de tanta coisa que era incerta, acertei
O que era vago se encheu, enchi a mochila
Depois que vi o sol nascendo cheio de ar de manhã
Saí sorrateiro pela porta dos fundos
Em direção à sombra perfumada
Ficar deitado ou passear pelo gramado
Tanto faz
O ar fresco com cheiro de liberdade
Um pequena liberdade que encontrei, por fim
Me libertei, enfim
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30 de novembro de 2008
retoque
leve como vento
me leva como ar
de olhar atento
tudo breve
enfim que troque
esse rock
som afim
assim que toque
que diferença traz
todas nossas palavras
se poesia que o silencio faz
que me deixa em paz
me leva como ar
de olhar atento
tudo breve
enfim que troque
esse rock
som afim
assim que toque
que diferença traz
todas nossas palavras
se poesia que o silencio faz
que me deixa em paz
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27 de outubro de 2008
como me encontrar agora?
sentado no fim do furacão
se tudo passou violento
em forma de desconstrução
e mais rápido que auróra
será que paro para respirar
ou construo novas velas para navegar
ainda sinto as vozes ecoando
os acordes ressoando
e as vezes se acumulando
tudo espalhado pelo chão
até imagens espelhadas
que logo se vão
tenho inteção e tenho obrigação
só não sei onde encontro opção
a ventania vai e volta
e com sorte me traz devolta
um saudoso recomeço
que sempre nasce com medo
sentado no fim do furacão
se tudo passou violento
em forma de desconstrução
e mais rápido que auróra
será que paro para respirar
ou construo novas velas para navegar
ainda sinto as vozes ecoando
os acordes ressoando
e as vezes se acumulando
tudo espalhado pelo chão
até imagens espelhadas
que logo se vão
tenho inteção e tenho obrigação
só não sei onde encontro opção
a ventania vai e volta
e com sorte me traz devolta
um saudoso recomeço
que sempre nasce com medo
7 de abril de 2008
Quatro lâmpadas
Duas lâmpadas já queimaram e outra simplesmente explodiu, me forçando a colocar pra funcionar a velha luminária artesanal de materiais simplórios. A primeira durou por bom tempo e era normal se acabar; já a segunda explodir assim não entendo como e nem porquê. A terceira foi só pra inquietar. Agora estou a fraca e verde luminosidade - a vantagem do verde é que as sombras são violetas. Violentas idéias que me passaram pela cabeça com tanta luz indo e vindo: parece até que não me querem vivendo na madrugada. Pode ser também que me querem é na inspiração da penumbra charmosa e ecológica da pequena lâmpada fluorescente. Seja como for, sob ela é que estou a escrever, desenhar e por vezes respirar. Só não consigo saber qual é a luz que deveria iluminar.
14 de março de 2008
O que quer que haja
brilhou no céu a madrugada
e ela não está mais acordada
não esqueci daquele vento soprado
por mais que permaneça calado
silêncio que borbulha as cabeças
a flor, das cores não te esqueças
há de desabrochar se os olhos fechar
disparadas flechas a flertar
não sou lógico, sou empírico
sou abstrato e assim me trato
instintivo e não tão explícito
deixar permear espessa camada
fazer receber poesia declamada
as palavras estão aqui
e o sentido está aí
se vazio isso está soando
quem sabe dos versos já fala
vazio não se completa falando
e nem cabe dentro daquilo que cala
lembras da chuva singela?
que cai no chão ou na janela
aquelas poças já são vapor
agora a flor exala seu odor
suave perfumado explendor
transpiro algo mais quente - eminente
também sente o sangue corrente?
e ela não está mais acordada
não esqueci daquele vento soprado
por mais que permaneça calado
silêncio que borbulha as cabeças
a flor, das cores não te esqueças
há de desabrochar se os olhos fechar
disparadas flechas a flertar
não sou lógico, sou empírico
sou abstrato e assim me trato
instintivo e não tão explícito
deixar permear espessa camada
fazer receber poesia declamada
as palavras estão aqui
e o sentido está aí
se vazio isso está soando
quem sabe dos versos já fala
vazio não se completa falando
e nem cabe dentro daquilo que cala
lembras da chuva singela?
que cai no chão ou na janela
aquelas poças já são vapor
agora a flor exala seu odor
suave perfumado explendor
transpiro algo mais quente - eminente
também sente o sangue corrente?
17 de fevereiro de 2008
Que seja
o vento trouxe novos perfumes às antigas flores
e o solstício deu aos velhos olhos novas cores
já não somos o que costumávamos ser
e tornou-se incrível o que costumavamos crer
as harmonias calculadas não são tão desejadas
como as dissonancias espontâneas ou improvisadas
nossos passados se reciclam e nos confundem
mas nossas vidas são presentes e nos unem
magnífico fogo à estúpida mariposa
movimento fugaz da esperta raposa
tão sublime que é o pólem ao beija-flor
e nada me intriga mais que o seu calor
alheio ao que se deseja
desejo que seja
e o solstício deu aos velhos olhos novas cores
já não somos o que costumávamos ser
e tornou-se incrível o que costumavamos crer
as harmonias calculadas não são tão desejadas
como as dissonancias espontâneas ou improvisadas
nossos passados se reciclam e nos confundem
mas nossas vidas são presentes e nos unem
magnífico fogo à estúpida mariposa
movimento fugaz da esperta raposa
tão sublime que é o pólem ao beija-flor
e nada me intriga mais que o seu calor
alheio ao que se deseja
desejo que seja
17 de novembro de 2007
Consonante
Peça morta do xadrez
Coça a nuca outra vez
Tenta se encaixar no quadro
No quebra-cabeças não enquadra
De mágico nada tem seu cubículo
Sentado, aproveita o martírio
Deixa logo as cartas pros envelopes
E essa jogatina ao seu submundo torpe
É preferível ser poeta livre
Do que viciado angustiado de baixo calibre
Coça a nuca outra vez
Tenta se encaixar no quadro
No quebra-cabeças não enquadra
De mágico nada tem seu cubículo
Sentado, aproveita o martírio
Deixa logo as cartas pros envelopes
E essa jogatina ao seu submundo torpe
É preferível ser poeta livre
Do que viciado angustiado de baixo calibre
13 de janeiro de 2007
Perdição
Entre, as portas estão abertas
Dentro, você encontrará tudo que sempre procurou
Nada de aborrecimento, nada de tédio
Aqui, você estará salvo e verá florescer um paraíso
No começo, não entederá e se encontrará confuso
Matará toda tua sede em poucos goles
Não sentindo-se satisfeito continurá a devorar tudo o que vier pela frente
O fim parecerá ter chegado inumeras vezes, mas é tudo ilusão
Não existe fim, caso você não pule fora
Mas a simples lembrança do doce deleite te impedirá de não voltar
Por mais que doa por um tempo, por mais que pense em renunicar
A renúncia te custa muito caro, exije tanto coragem como persistência
Persistência, porém, você tem para continuar
Na sua mente, embaralhada, os momentos de êxtase te indicam o caminho mais fácil
E é tão mais fácil quanto prazeroso
Há quem diga que tudo isso é errado, mas errado, pra mim, é vago demais
Sinta-se a vontade, estique as pernas, encha tua xícara
Deslumbre-se da voluptuosidade dessa sala que sempre existirá
Talvez não seja eterno, mas é porque você não dura para sempre
Aqui encontrará muitos dos teus semelhantes
Todos muito bem ébrios ou iludidos
Esses, os eleitos, talvez sejam tua principal razão para ficar
Se em algum momento te encontrar como um criminoso, assuma teus castigos
Se em algum momento te encontrar como pecador, assuma teu purgatório
Sinto informar-te que ninguém pode fazer isso por você
Se te econtrar como ateu ou cidadão honesto, não há do que ter medo
Uma vez que não haja medo, goze até achar teus limites
O limite de tua alma, de tua mente e de tua carne
Tua consciência pode não ser tão útil aqui
Mas se da janela um vento deixá-la pesada, sentirá vontade de respirar o velho ar puro
Vá, mas eu te digo, você volta, pois esse é o teu refúgio
O refúgio de todo o mais que você encara com o olhar do tédio
De tudo o que você acha dispensável e chato mas é, na verdade, o que torna tudo fundamental
É mentira, talvez você saia, pode achar conveniente ou acabar por descobrir-se entediado
- triste parece sim, mas o parecer é também vago -
Pode ser que apenas se perca em cantos mais escuros, ou mesmo que prefira o ar da janela
Há quem prefira assitir tudo da varanda, há quem prefere não assitir
Há ainda os mais tolos, ou mais sábios, que preferem ficar avulsos a tudo
E viver ao perfume das flores e à sombra deitados no gramado
Mas isso, infelizmente, não é para qualquer um;
Dentro, você encontrará tudo que sempre procurou
Nada de aborrecimento, nada de tédio
Aqui, você estará salvo e verá florescer um paraíso
No começo, não entederá e se encontrará confuso
Matará toda tua sede em poucos goles
Não sentindo-se satisfeito continurá a devorar tudo o que vier pela frente
O fim parecerá ter chegado inumeras vezes, mas é tudo ilusão
Não existe fim, caso você não pule fora
Mas a simples lembrança do doce deleite te impedirá de não voltar
Por mais que doa por um tempo, por mais que pense em renunicar
A renúncia te custa muito caro, exije tanto coragem como persistência
Persistência, porém, você tem para continuar
Na sua mente, embaralhada, os momentos de êxtase te indicam o caminho mais fácil
E é tão mais fácil quanto prazeroso
Há quem diga que tudo isso é errado, mas errado, pra mim, é vago demais
Sinta-se a vontade, estique as pernas, encha tua xícara
Deslumbre-se da voluptuosidade dessa sala que sempre existirá
Talvez não seja eterno, mas é porque você não dura para sempre
Aqui encontrará muitos dos teus semelhantes
Todos muito bem ébrios ou iludidos
Esses, os eleitos, talvez sejam tua principal razão para ficar
Se em algum momento te encontrar como um criminoso, assuma teus castigos
Se em algum momento te encontrar como pecador, assuma teu purgatório
Sinto informar-te que ninguém pode fazer isso por você
Se te econtrar como ateu ou cidadão honesto, não há do que ter medo
Uma vez que não haja medo, goze até achar teus limites
O limite de tua alma, de tua mente e de tua carne
Tua consciência pode não ser tão útil aqui
Mas se da janela um vento deixá-la pesada, sentirá vontade de respirar o velho ar puro
Vá, mas eu te digo, você volta, pois esse é o teu refúgio
O refúgio de todo o mais que você encara com o olhar do tédio
De tudo o que você acha dispensável e chato mas é, na verdade, o que torna tudo fundamental
É mentira, talvez você saia, pode achar conveniente ou acabar por descobrir-se entediado
- triste parece sim, mas o parecer é também vago -
Pode ser que apenas se perca em cantos mais escuros, ou mesmo que prefira o ar da janela
Há quem prefira assitir tudo da varanda, há quem prefere não assitir
Há ainda os mais tolos, ou mais sábios, que preferem ficar avulsos a tudo
E viver ao perfume das flores e à sombra deitados no gramado
Mas isso, infelizmente, não é para qualquer um;
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