03/02/2010

Joe e as baratas

Joe e as baratas foram almoçar
no chão da sala de estar

Quanta merda retirada das ruas e calçadas
"Delas tendem a nascer coisas belas", disse então Rodnei Baratão

Cine trash Pop B a tarde na tevê...

Joe correndo contra o tempo atrás do jardim que se perdeu no beco
Tudo desabou

E as baratas mutualisticamente cooperando em stop motion reegueram o jardim de Lili
Joe e Lili agora podem amar e as baratas tem seu lar-doce-lar.

02/02/2010

rocambole de feijão

seus argumentos estão
saturados de gordura trans
transmitindo momentos
de aflição

minha mãe que assistiu
o piá que se entupiu
de batata frita se fritou

sem feijão não tem
bucho que aguente
nem bicho que se sustente

seu sotaque crocante
palavriado doce
(antes fosse)
não diz nada de importante
hidrogenada nada nada não
estragou-me a refeição

temperamento agressivo
eloquente discursivo
afobamento agudo
fala sem fim come só meio
e eu ficando barrigudo
e de saco cheio

28/12/2009

recortes - xerox e posia


O projeto inicialmente intitulado "poesia de nossas dias", sobre o qual estive um tempo procurando interessados em contribuir com poemas está agora finalizado.

Foram produzidos 50 volumes do livreto, chamado "Recortes - xerox e poesia", que serão vendidos à bagatela de 1 real para custear os xerox. Estes exemplares serão levados ao festival psicodália de ano novo.

Futuramente mais informações em recortesxeroxepoesia.blogspot.com

10/10/2009

alguém pode me dizer
pra que gastar a vida cortando papel
ou correndo atrés da aluguel
pra pagar em dia

nossos velhos cliches em heresia
se reciclando e nos convencendo
(pensando enquanto correndo
sob o sol ou chuva que fazia - tanto faz o dia)
do que é preciso

mas o que eu preciso?
não sei ao certo porque não tive tempo de pensar
usei meu tempo pra pensar
no trabalho que tinha pra entregar
ou no que tinha pra arruamar
(são sempre as mesmas rimas de sempre)
(me enrolo na minha própria serpende)

meu, oh meu bem
não fiz banda e nem carreira
sou refém de mim
e de uma suposta vida sou afim

que tal então tomar quentão
e procurar quebrar/uma nova rima achar
porque (e você a essa altura já deve saber)
tá foda
só no almoço tomar uma soda pra relaxar
com essa história de desse-por-satisfeto-com-o-rocambole-de-queijo
no máximo posso não me lebrar de estupefar
mas poxa, quero a tal falada
moragada a beira da brasa
(?)
enfim

11/08/2009

quando me encontrar
oergunte onde foi parar
cabeça avuada
comigo carregava
peso no peito
dor não sei de quê

pra quê
se preocupar
em contar os passos
se os pássaros cantar
é mais legal de olhar
ou
pra quê
contar os pássaros
se cantar aos passos
é mais legal: não me conte

fui passear
sei lá onde fui parar
me avise
se me avistar
andei descalço
pisei em falso
deve tá chegando
qualquer hora aí
já já taí
pera mais um pouco
ja tô ficando louco
mas já tá na hora
podia ser agora

onde é que tá?
onde foi pará?
quando vai chegá?
já deve tá aí

vai mais depressa
ou nem venha mais
deixa disso meu rapaz
pra que toda essa pressa

28/07/2009

de noite me deitei mais cedo e
levei pra cama comigo
meu caderno e mais dois livros

joguei fora a água parada e
deitei com outro cobertor
de baixo da luz apagada

fiquei aceso com o abajur e
com uma madruga (começando) molhada
pensando em me mudar

tempo que não muda: já estou ficando nublado
tendo que guardar chuva, já que a descarga da latrina tá quebrada
(sempre achei da latrina e quis dar descarga nas coisas de ordem prática)
e agora? prestes a talvez mudar de vista de janela de piso de sofá de pia geladeira azulejo estampado e uma porção de coisas que nunca precisei
mas que começam a fazer falta
que impasse: me apego fácil
gosto de ficar
sentado e
me acostumar

essas coisas nem são minhas;
então vou talvez guardar as coisas na mala (as minhas)
ir usando meus dias pra me desapegar
matar saudades do que ainda não me distanciei

fiquei na penumbra e esqueci
que posso me deixar em qualquer lugar
já que moro dentro de mim

15/07/2009

amanheci com gosto de noite
sem precisar dizer que,
sem vontade de dia,
a tarde me puxou
depois de matar a manhã
e, devidamente despertado,
me obrigo a parar a madrugada.
Rotina ingrata.

06/06/2009

passo a passo caminhada maquinal / gasto pensamento com praxis / vou passeando pelo sistema digestivo da máquina invisivel / invisivel pelos olhos desatentos / inevitavel para os carações aflitos ( com os quais esbarro cotidianamente / apreendo consciente ao passo que crio listas (de coisas de pessoas de gestos de pensamentos e situações de conceitos e preconceitos / o cimento da rua faz tudo girar e se cruzar / eu anseio e desejo e tenho medo e quero mais / ouço o som que vem dos predios das salas dos quartos dos terços do contratempo (que no fundo são / pessoas com voz
tempo que se sublima e nos consome / cada vez mais escasso deixa cansaço / cada vez menor me sinto cada vez maior / meu reflexo em alguns olhos é inanimado / mas nos seus (olhos) e com o seu (reflexo) sinto vida