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25 de abril de 2010

Joia

quero um mundo para mim
viver poesia e coisa afim
cor, batuque, referência
sem fim

rir grátis, de nada obrigado
rir práxis, de tudo, embriagado

hoje em dia-a-dia
a manhã de amanhã
uma boa tarde sã
que eu dormia

sempre, sem pressa
a mais nova cria: são
tempos difíceis de
conversa, depressa
muito blablablá
que não me interessa:
compilação de pinóia
com puta razão
prefiro permanecer
jooooooooooooooia

10 de outubro de 2009

alguém pode me dizer
pra que gastar a vida cortando papel
ou correndo atrés da aluguel
pra pagar em dia

nossos velhos cliches em heresia
se reciclando e nos convencendo
(pensando enquanto correndo
sob o sol ou chuva que fazia - tanto faz o dia)
do que é preciso

mas o que eu preciso?
não sei ao certo porque não tive tempo de pensar
usei meu tempo pra pensar
no trabalho que tinha pra entregar
ou no que tinha pra arruamar
(são sempre as mesmas rimas de sempre)
(me enrolo na minha própria serpende)

meu, oh meu bem
não fiz banda e nem carreira
sou refém de mim
e de uma suposta vida sou afim

que tal então tomar quentão
e procurar quebrar/uma nova rima achar
porque (e você a essa altura já deve saber)
tá foda
só no almoço tomar uma soda pra relaxar
com essa história de desse-por-satisfeto-com-o-rocambole-de-queijo
no máximo posso não me lebrar de estupefar
mas poxa, quero a tal falada
moragada a beira da brasa
(?)
enfim

18 de janeiro de 2009

Perdição II

Saí do quarto abafado - já estava ficando chateado
As bebidas de lá não me matavam a sede
O que havia lá pra comer não me matava, quando tinha, a fome

Foi bom ter entrado, se assim não fosse
Nunca teria saído, não assim
Altivo

Lá pensei tanto, falei tanto
Cantei tanto, em todo canto
Meu cabelo cresceu
Meu espírito cresceu
Cresceu até
a vontade de mudar; mudei

Encontrei-me criminoso, incriminei-me
Plantei pecado, colhi a pena
E valeu a pena

No meio de tanta coisa que era incerta, acertei
O que era vago se encheu, enchi a mochila
Depois que vi o sol nascendo cheio de ar de manhã
Saí sorrateiro pela porta dos fundos
Em direção à sombra perfumada

Ficar deitado ou passear pelo gramado
Tanto faz
O ar fresco com cheiro de liberdade
Um pequena liberdade que encontrei, por fim
Me libertei, enfim

14 de janeiro de 2009

a respeito do tempo

disse que meu olhar parecia triste
(num lapso de razão
lembrei que o tempo escorre)
como insiste!
logo escorreria pelo vão de minha mão
tempo se esvai - você se vai,
e agora empaca: Vai!

mas sei que tempo corre
uma hora vai chegar
e logo me leva
devolta pra lá

21 de abril de 2008

Ao velho amigo

Parece que o Rock'n'Roll virou coisa só pra ouvir quando se distrai; como se pode criar tão intensamente sem ânimo pra pensar? Marasmo tomou conta tão sutil que nem parece presente se não observar de fora conhecendo o que há dentro. Tudo está explodindo. Tudo estava explodindo. Agora os ventos mudaram de nome e os barcos tomaram outros rumos. Nunca soube pra onde ir, nem mesmo pra onde gostaria ir, mas de algo lembro-me: tive a lúcida visão de estar no caminho a pouco tempo, mas há neblina, porém, me impede de avistá-la agora. Sobre os valores sólidos e abstratos que com cores tão vivas faziam-se sentir não sei onde estão. O Solstício deu-me poder e deu-me fogo, o Equinócio matou parte mim. No espelho há um amontado celular de carbono exalando cafeína e outras coisas pelos poros e um grande cabelo despenteado sem sentido. Paredes pequenas nunca me empediram de expandir e vejo-me retilineamente dentro do corpo e nem um pouco profundo em nada mais. Insatisfação, meu caro, faz-me novamente saudoso dos tempos de nossos primeiros escritos (parece que ainda repito certaz palavras e elementos desesperadamente). Subimos alguns degraus, deveras, beijamos o céu; mas céu não é fiel e nem assume compromisso - o que não quer dizer que precisava abandoná-lo assim. Estou sendo compreensivo? Imagino que nunca serei, se até quando sou o mais claro dos matisses insistem em me incompreender. Logo eu, que sempre me vi como trasparamente. Trasparentemente difuso, certo. Essa difusão que se pode evoluir, junto com a hipocrisia para uma dissumulação indesejada. Não desejo. Desejo. Deseje sim! Que desejem todos, a toda hora. Que supram seus desejos antes que virem tormentos, e que os desejos sejam pequenos, grandes e imensuráveis. Sombras pairam assustadoramente e não sei como resolver (seria com a tinta mais concentrada?). Não sei, esse tipo de coisa acho que se resolve com a prática. Mas é que a prática demanda tempo e eu costumava me incomodar tanto com isso. Somos resplandecidamente mutáveis e atemporavelmente cíclicos - pelo menos em nossa eterna juventude de agora. Que acha disso? Deveríamos sentar às estrelhas e ouvir aquele disco dos Mutantes. Sinto falta, sinto faltas. Sinto falta de sentir mais. No fim vejo tudo difuso e não sei, sinceramente, onde estou no meio disso. Saudades, meu velho amigo.

14 de abril de 2008

Saudosismo aterrado

Foi o fato de eu ter passado três semanas longe de casa, ou algumas sem ter saído pela noite. Ou mais ainda sem ter visto alguns certos bons antigos amigos. Só sei que fato por fato me vi tomado por um saudosismo ou nostalgia estranha não sei do que. Essa mudança de ares e luminosidades parecia me dizer sobre quem sou ou quem costumava ou deveria estar sendo. Um bom tempo em silêncio me gritou que tenho muita coisa mal resolvida por dentro. Fragmentos e peças passadas me retumbaram em sonhos lúcidos e me encolhi outra vez no canto escuro. Quieto, percebi que gosto mesmo das luzes amareladas que fazem surgir a noite, assim: melancólicas ou extasiantes. É a condição fatal inerente? Espero que não. Já me avisaram sobre algo de desesperador que há em mim, e eu concordo. Não dá pra assistir embascado os dias morrendo. Muitas coisas estão se criando, mas são as certas? Por vezes não gosto do que é maior que eu. Nem as dúvidas, que esguias me tomam em extensão. Não gosto de não conseguir escrever versos segundo minha vontade. Não gosto do que não consigo controlar. E gosto menos ainda de não poder retribuir à altura.

13 de janeiro de 2007

Perdição

Entre, as portas estão abertas
Dentro, você encontrará tudo que sempre procurou
Nada de aborrecimento, nada de tédio
Aqui, você estará salvo e verá florescer um paraíso

No começo, não entederá e se encontrará confuso
Matará toda tua sede em poucos goles
Não sentindo-se satisfeito continurá a devorar tudo o que vier pela frente
O fim parecerá ter chegado inumeras vezes, mas é tudo ilusão
Não existe fim, caso você não pule fora
Mas a simples lembrança do doce deleite te impedirá de não voltar

Por mais que doa por um tempo, por mais que pense em renunicar
A renúncia te custa muito caro, exije tanto coragem como persistência
Persistência, porém, você tem para continuar
Na sua mente, embaralhada, os momentos de êxtase te indicam o caminho mais fácil
E é tão mais fácil quanto prazeroso
Há quem diga que tudo isso é errado, mas errado, pra mim, é vago demais

Sinta-se a vontade, estique as pernas, encha tua xícara
Deslumbre-se da voluptuosidade dessa sala que sempre existirá
Talvez não seja eterno, mas é porque você não dura para sempre
Aqui encontrará muitos dos teus semelhantes
Todos muito bem ébrios ou iludidos
Esses, os eleitos, talvez sejam tua principal razão para ficar

Se em algum momento te encontrar como um criminoso, assuma teus castigos
Se em algum momento te encontrar como pecador, assuma teu purgatório
Sinto informar-te que ninguém pode fazer isso por você

Se te econtrar como ateu ou cidadão honesto, não há do que ter medo
Uma vez que não haja medo, goze até achar teus limites
O limite de tua alma, de tua mente e de tua carne

Tua consciência pode não ser tão útil aqui
Mas se da janela um vento deixá-la pesada, sentirá vontade de respirar o velho ar puro
Vá, mas eu te digo, você volta, pois esse é o teu refúgio
O refúgio de todo o mais que você encara com o olhar do tédio
De tudo o que você acha dispensável e chato mas é, na verdade, o que torna tudo fundamental


É mentira, talvez você saia, pode achar conveniente ou acabar por descobrir-se entediado
- triste parece sim, mas o parecer é também vago -
Pode ser que apenas se perca em cantos mais escuros, ou mesmo que prefira o ar da janela
Há quem prefira assitir tudo da varanda, há quem prefere não assitir
Há ainda os mais tolos, ou mais sábios, que preferem ficar avulsos a tudo
E viver ao perfume das flores e à sombra deitados no gramado
Mas isso, infelizmente, não é para qualquer um;