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14 de abril de 2008
Saudosismo aterrado
Foi o fato de eu ter passado três semanas longe de casa, ou algumas sem ter saído pela noite. Ou mais ainda sem ter visto alguns certos bons antigos amigos. Só sei que fato por fato me vi tomado por um saudosismo ou nostalgia estranha não sei do que. Essa mudança de ares e luminosidades parecia me dizer sobre quem sou ou quem costumava ou deveria estar sendo. Um bom tempo em silêncio me gritou que tenho muita coisa mal resolvida por dentro. Fragmentos e peças passadas me retumbaram em sonhos lúcidos e me encolhi outra vez no canto escuro. Quieto, percebi que gosto mesmo das luzes amareladas que fazem surgir a noite, assim: melancólicas ou extasiantes. É a condição fatal inerente? Espero que não. Já me avisaram sobre algo de desesperador que há em mim, e eu concordo. Não dá pra assistir embascado os dias morrendo. Muitas coisas estão se criando, mas são as certas? Por vezes não gosto do que é maior que eu. Nem as dúvidas, que esguias me tomam em extensão. Não gosto de não conseguir escrever versos segundo minha vontade. Não gosto do que não consigo controlar. E gosto menos ainda de não poder retribuir à altura.
31 de janeiro de 2008
Pasmáveis Pastagens
Molho a pena em minha alma diluída em sangue
Rabisco linhas extravagantes sinuosamente
Minha calma destruída pela falha diante da cena
Insisto em tintas vulgares furtivamente
Surge aos poucos o rascunho do ridículo que assisto
Urge aos loucos seu entulho insípido que registro
Faz-se mártir de pirâmide monumental de dejetos
Fácil morte aos estúpidos, boçal sem escrúpulos
A moldura da mais surreal e cômica asneira
Que faz-se trágica por passividade costumeira
*pra não acumular bolor
Rabisco linhas extravagantes sinuosamente
Minha calma destruída pela falha diante da cena
Insisto em tintas vulgares furtivamente
Surge aos poucos o rascunho do ridículo que assisto
Urge aos loucos seu entulho insípido que registro
Faz-se mártir de pirâmide monumental de dejetos
Fácil morte aos estúpidos, boçal sem escrúpulos
A moldura da mais surreal e cômica asneira
Que faz-se trágica por passividade costumeira
*pra não acumular bolor
15 de dezembro de 2007
Passos leves
Por três dias fiz-me testemunha de Sidarta e Govinda
Ao passo que redescobri os fragmentos do Album Branco
Em constantes dúvidas dissonantes
Alternando o sóbrio e o ébrio estado dos sentidos
Alimentando-me, contaminando-me
Buscando o que é intrínseco e desperta incredulidade dos céticos
Sempre mais perto, sempre mais profundo
Esbarrando-me constantemente nos vícios do corpo e da alma
Envolto pela imensa e traiçoeira liberdade de significá-los como bem entender
E assim que se mergulha em divino caos diabólico
O livre arbítrio flerta sádico com sua existência durante os passos leves da madrugada
Ao passo que redescobri os fragmentos do Album Branco
Em constantes dúvidas dissonantes
Alternando o sóbrio e o ébrio estado dos sentidos
Alimentando-me, contaminando-me
Buscando o que é intrínseco e desperta incredulidade dos céticos
Sempre mais perto, sempre mais profundo
Esbarrando-me constantemente nos vícios do corpo e da alma
Envolto pela imensa e traiçoeira liberdade de significá-los como bem entender
E assim que se mergulha em divino caos diabólico
O livre arbítrio flerta sádico com sua existência durante os passos leves da madrugada
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