uma imagem de alto impacto
auto impactante
tão sucinta que suscita
mais e mais e coisas,
me ressuscita.
— que coisa!
— que coisa?
direto ao ponto.
de outro ponto.
e outro conto.
e contraponto.
e nunca pronto.
imagino e a refaço
e nem mais faço questão
de lembrar-me como era.
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27 de abril de 2011
26 de abril de 2010
Anotações passageiras
Achei perdido em um caderno anotações datadas de 01/05/09. Faço pequenas alterações enquanto digito. Só pra não se perder:
Dia tipicamente curitibano:
frio e eu quis dormir mais.
Visto azul e escuro.
Camuflo na multidão agitada
e na arquitetura gelada
da rodoviária em dia de feriado (que feriado era mesmo?).
Em dias assim, os ônibus costumam lotar e eu dei sorte de conseguir uma vaga meia hora depois do horário que pretendia na segunda opção de empresa de viação.
Ela fica no fim do corredor e a fila sempre está maior, porque é única.
E agora me sobra meia hora à deriva.
Sento no corredor de espera.
A velhinha ao lado - 5 cadeiras de intervalo, já não recordo a face - ouve música ou rádio com fones do celular.
Duas mulheres passam a ocupar as cadeiras do intervalo.
Uma delas grávida.
Carregam grandes sacolas e folheam revistas de fofoca e novela.
Uma moça - 20 e poucos - me aborda com face e voz.
Melancólica, me chamando senhor e pedindo ajuda.
Alego ter gasto toda grana com a passagem (sei não...), ela sai estantaneamente.
Passam dúzias. Preocupados, pensativos, analíticos ou só percebendo.
Um tipo de figurante muito comum que nunca mais verei e cumpre sua função anônima de passar, andando.
Passam os que esperam embarque,
passam os que esperam desembarque,
passam os funcionários das empresas de viação,
passam os carregadores de bagagem,
passam os que querem pedir
ou precisam
passa o velho vasculhando vasos e o lixo
passam crianças, jovens, adultos
e já passaram 15 minutos -
há grandes relógios no decorrer do grande corredor.
O carregador de bagagem troca xingamentos com alguém que não consigo ver por causa da porta que não fecha:
"Olha o patrimônio da URBS, Babaca"
"Traia..."
A voz mecânica anuncia as últimas chamadas.
Sempre que faz isso um novo cardume passa apressado.
Há ainda degustadores de coxinhas gordurosas,
uns que passam me olhando: "Tá escrevendo?".
Só faltam 10 minutos e eu agora: embarcar.
Dia tipicamente curitibano:
frio e eu quis dormir mais.
Visto azul e escuro.
Camuflo na multidão agitada
e na arquitetura gelada
da rodoviária em dia de feriado (que feriado era mesmo?).
Em dias assim, os ônibus costumam lotar e eu dei sorte de conseguir uma vaga meia hora depois do horário que pretendia na segunda opção de empresa de viação.
Ela fica no fim do corredor e a fila sempre está maior, porque é única.
E agora me sobra meia hora à deriva.
Sento no corredor de espera.
A velhinha ao lado - 5 cadeiras de intervalo, já não recordo a face - ouve música ou rádio com fones do celular.
Duas mulheres passam a ocupar as cadeiras do intervalo.
Uma delas grávida.
Carregam grandes sacolas e folheam revistas de fofoca e novela.
Uma moça - 20 e poucos - me aborda com face e voz.
Melancólica, me chamando senhor e pedindo ajuda.
Alego ter gasto toda grana com a passagem (sei não...), ela sai estantaneamente.
Passam dúzias. Preocupados, pensativos, analíticos ou só percebendo.
Um tipo de figurante muito comum que nunca mais verei e cumpre sua função anônima de passar, andando.
Passam os que esperam embarque,
passam os que esperam desembarque,
passam os funcionários das empresas de viação,
passam os carregadores de bagagem,
passam os que querem pedir
ou precisam
passa o velho vasculhando vasos e o lixo
passam crianças, jovens, adultos
e já passaram 15 minutos -
há grandes relógios no decorrer do grande corredor.
O carregador de bagagem troca xingamentos com alguém que não consigo ver por causa da porta que não fecha:
"Olha o patrimônio da URBS, Babaca"
"Traia..."
A voz mecânica anuncia as últimas chamadas.
Sempre que faz isso um novo cardume passa apressado.
Há ainda degustadores de coxinhas gordurosas,
uns que passam me olhando: "Tá escrevendo?".
Só faltam 10 minutos e eu agora: embarcar.
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25 de abril de 2010
Joia
quero um mundo para mim
viver poesia e coisa afim
cor, batuque, referência
sem fim
rir grátis, de nada obrigado
rir práxis, de tudo, embriagado
hoje em dia-a-dia
a manhã de amanhã
uma boa tarde sã
que eu dormia
sempre, sem pressa
a mais nova cria: são
tempos difíceis de
conversa, depressa
muito blablablá
que não me interessa:
compilação de pinóia
com puta razão
prefiro permanecer
jooooooooooooooia
viver poesia e coisa afim
cor, batuque, referência
sem fim
rir grátis, de nada obrigado
rir práxis, de tudo, embriagado
hoje em dia-a-dia
a manhã de amanhã
uma boa tarde sã
que eu dormia
sempre, sem pressa
a mais nova cria: são
tempos difíceis de
conversa, depressa
muito blablablá
que não me interessa:
compilação de pinóia
com puta razão
prefiro permanecer
jooooooooooooooia
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2 de fevereiro de 2010
rocambole de feijão
seus argumentos estão
saturados de gordura trans
transmitindo momentos
de aflição
minha mãe que assistiu
o piá que se entupiu
de batata frita se fritou
sem feijão não tem
bucho que aguente
nem bicho que se sustente
seu sotaque crocante
palavriado doce
(antes fosse)
não diz nada de importante
hidrogenada nada nada não
estragou-me a refeição
temperamento agressivo
eloquente discursivo
afobamento agudo
fala sem fim come só meio
e eu ficando barrigudo
e de saco cheio
saturados de gordura trans
transmitindo momentos
de aflição
minha mãe que assistiu
o piá que se entupiu
de batata frita se fritou
sem feijão não tem
bucho que aguente
nem bicho que se sustente
seu sotaque crocante
palavriado doce
(antes fosse)
não diz nada de importante
hidrogenada nada nada não
estragou-me a refeição
temperamento agressivo
eloquente discursivo
afobamento agudo
fala sem fim come só meio
e eu ficando barrigudo
e de saco cheio
10 de outubro de 2009
alguém pode me dizer
pra que gastar a vida cortando papel
ou correndo atrés da aluguel
pra pagar em dia
nossos velhos cliches em heresia
se reciclando e nos convencendo
(pensando enquanto correndo
sob o sol ou chuva que fazia - tanto faz o dia)
do que é preciso
mas o que eu preciso?
não sei ao certo porque não tive tempo de pensar
usei meu tempo pra pensar
no trabalho que tinha pra entregar
ou no que tinha pra arruamar
(são sempre as mesmas rimas de sempre)
(me enrolo na minha própria serpende)
meu, oh meu bem
não fiz banda e nem carreira
sou refém de mim
e de uma suposta vida sou afim
que tal então tomar quentão
e procurar quebrar/uma nova rima achar
porque (e você a essa altura já deve saber)
tá foda
só no almoço tomar uma soda pra relaxar
com essa história de desse-por-satisfeto-com-o-rocambole-de-queijo
no máximo posso não me lebrar de estupefar
mas poxa, quero a tal falada
moragada a beira da brasa
(?)
enfim
pra que gastar a vida cortando papel
ou correndo atrés da aluguel
pra pagar em dia
nossos velhos cliches em heresia
se reciclando e nos convencendo
(pensando enquanto correndo
sob o sol ou chuva que fazia - tanto faz o dia)
do que é preciso
mas o que eu preciso?
não sei ao certo porque não tive tempo de pensar
usei meu tempo pra pensar
no trabalho que tinha pra entregar
ou no que tinha pra arruamar
(são sempre as mesmas rimas de sempre)
(me enrolo na minha própria serpende)
meu, oh meu bem
não fiz banda e nem carreira
sou refém de mim
e de uma suposta vida sou afim
que tal então tomar quentão
e procurar quebrar/uma nova rima achar
porque (e você a essa altura já deve saber)
tá foda
só no almoço tomar uma soda pra relaxar
com essa história de desse-por-satisfeto-com-o-rocambole-de-queijo
no máximo posso não me lebrar de estupefar
mas poxa, quero a tal falada
moragada a beira da brasa
(?)
enfim
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11 de agosto de 2009
quando me encontrar
pergunte onde foi parar
cabeça avuada
comigo carregava
peso no peito
dor não sei de quê
pra quê
se preocupar
em contar os passos
se os pássaros cantar
é mais legal de olhar
ou
pra quê
contar os pássaros
se cantar aos passos
é mais legal: não me conte
fui passear
sei lá onde fui parar
me avise
se me avistar
andei descalço
pisei em falso
pergunte onde foi parar
cabeça avuada
comigo carregava
peso no peito
dor não sei de quê
pra quê
se preocupar
em contar os passos
se os pássaros cantar
é mais legal de olhar
ou
pra quê
contar os pássaros
se cantar aos passos
é mais legal: não me conte
fui passear
sei lá onde fui parar
me avise
se me avistar
andei descalço
pisei em falso
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28 de julho de 2009
de noite me deitei mais cedo e
levei pra cama comigo
meu caderno e mais dois livros
joguei fora a água parada e
deitei com outro cobertor
de baixo da luz apagada
fiquei aceso com o abajur e
com uma madruga (começando) molhada
pensando em me mudar
tempo que não muda: já estou ficando nublado
tendo que guardar chuva, já que a descarga da latrina tá quebrada
(sempre achei da latrina e quis dar descarga nas coisas de ordem prática)
e agora? prestes a talvez mudar de vista de janela de piso de sofá de pia geladeira azulejo estampado e uma porção de coisas que nunca precisei
mas que começam a fazer falta
que impasse: me apego fácil
gosto de ficar
sentado e
me acostumar
essas coisas nem são minhas;
então vou talvez guardar as coisas na mala (as minhas)
ir usando meus dias pra me desapegar
matar saudades do que ainda não me distanciei
fiquei na penumbra e esqueci
que posso me deixar em qualquer lugar
já que moro dentro de mim
levei pra cama comigo
meu caderno e mais dois livros
joguei fora a água parada e
deitei com outro cobertor
de baixo da luz apagada
fiquei aceso com o abajur e
com uma madruga (começando) molhada
pensando em me mudar
tempo que não muda: já estou ficando nublado
tendo que guardar chuva, já que a descarga da latrina tá quebrada
(sempre achei da latrina e quis dar descarga nas coisas de ordem prática)
e agora? prestes a talvez mudar de vista de janela de piso de sofá de pia geladeira azulejo estampado e uma porção de coisas que nunca precisei
mas que começam a fazer falta
que impasse: me apego fácil
gosto de ficar
sentado e
me acostumar
essas coisas nem são minhas;
então vou talvez guardar as coisas na mala (as minhas)
ir usando meus dias pra me desapegar
matar saudades do que ainda não me distanciei
fiquei na penumbra e esqueci
que posso me deixar em qualquer lugar
já que moro dentro de mim
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15 de julho de 2009
3 de maio de 2009
23 de abril de 2009
21 de março de 2009
20 de janeiro de 2009
19 de janeiro de 2009
Cuidado
Cuidado
Não vá atrapalhar o santo sono
da noite que dorme
com medo que o barulho se trasforme,
cresça e se torne insônia.
Crença que na noite se dorme.
Quem fica acordado, a noite engole.
Só devolve quebrado, depois da madrugada.
Vingativa, rouba o dia como quem diga:
_ Cuidado! Não vá ficar acordado...
Não vá atrapalhar o santo sono
da noite que dorme
com medo que o barulho se trasforme,
cresça e se torne insônia.
Crença que na noite se dorme.
Quem fica acordado, a noite engole.
Só devolve quebrado, depois da madrugada.
Vingativa, rouba o dia como quem diga:
_ Cuidado! Não vá ficar acordado...
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18 de janeiro de 2009
alguém roubou o livro da biblioteca
(onde alguns já o teriam conhecido)
ou ficou com ele quando ela fechou
ou só carimbou com o carimbo de lá
depois não quis mais saber dele
e vendeu, ou deu, ou esqueceu
ou não: foi roubado, se enganou
não se sabe por quantos desse passou
mas acabou no sebo perdido
na prateleira de prosa:
Literatura Brasileira
gostei da capa dura e o nome era familiar
troquei por uma nota de cinco e levei
não sei quem tudo leu
quem é dono de cada rabisco
mas por um belo acaso
foi bem bom
dividir com tanto estranho
os versos de Drummond
(onde alguns já o teriam conhecido)
ou ficou com ele quando ela fechou
ou só carimbou com o carimbo de lá
depois não quis mais saber dele
e vendeu, ou deu, ou esqueceu
ou não: foi roubado, se enganou
não se sabe por quantos desse passou
mas acabou no sebo perdido
na prateleira de prosa:
Literatura Brasileira
gostei da capa dura e o nome era familiar
troquei por uma nota de cinco e levei
não sei quem tudo leu
quem é dono de cada rabisco
mas por um belo acaso
foi bem bom
dividir com tanto estranho
os versos de Drummond
uma frase rasgada arranhou minha garganta e me arrepiou tão repentina que não resisti e respondi rasgando ela também
rasgada e sem ninguém pra pronunciá-la desarrebitou-se e se derramou pelo ralo afim de se agarrar em algo pra rasgar
contudo noutro minuto veio de novo produto uma sentença de veludo com som pompudo lá do fundo pra se entoar
nisso um calapso aconteceu que a frase de antes reapareceu e rasgou a nova e que como aquela - pronunciada - pereceu
rasgada e sem ninguém pra pronunciá-la desarrebitou-se e se derramou pelo ralo afim de se agarrar em algo pra rasgar
contudo noutro minuto veio de novo produto uma sentença de veludo com som pompudo lá do fundo pra se entoar
nisso um calapso aconteceu que a frase de antes reapareceu e rasgou a nova e que como aquela - pronunciada - pereceu
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17 de janeiro de 2009
ss
passo e fico
passo fundo
me afundo
me apresso
aperto o passo
passo a passo
passo passei
passeei e voltei
voltei e fiquei
no espaço
esparço
me perco
e passo
na poça
empossada
descalço
na calçada
mas passa
me acho
eu acho
quem passe
que impasse
achei!
agora fico
pacifico
passei e voltei
fiquei
pacífico
passo e fico
passo fundo
me afundo
me apresso
aperto o passo
passo a passo
passo passei
passeei e voltei
voltei e fiquei
no espaço
esparço
me perco
e passo
na poça
empossada
descalço
na calçada
mas passa
me acho
eu acho
quem passe
que impasse
achei!
agora fico
pacifico
passei e voltei
fiquei
pacífico
passo e fico
14 de janeiro de 2009
A chuva não sabia se chovia
Ninguém sabia quem ia
O tempo corria
Fui esperar na estação central - sentei;
Logo ela chega - chegou;
O reencontro, sorriu, me encanto;
Penso em tanto, sozinho num canto
Ela fica tão bonita ao luar, mesmo assim
minhas palavras sem chegar;
Que é que se passa nesse olhar
Aquilo que pensei, onde foi parar
Ora, tanto faz
Se palavras não tem efeito
Nos entendemos de outro jeito
Ninguém sabia quem ia
O tempo corria
Fui esperar na estação central - sentei;
Logo ela chega - chegou;
O reencontro, sorriu, me encanto;
Penso em tanto, sozinho num canto
Ela fica tão bonita ao luar, mesmo assim
minhas palavras sem chegar;
Que é que se passa nesse olhar
Aquilo que pensei, onde foi parar
Ora, tanto faz
Se palavras não tem efeito
Nos entendemos de outro jeito
17 de dezembro de 2008
o verde de gramado recém cortado
com roxo adocicado encontrou
o sabor pro seu odor
e se completou;
tonturas a parte
a parte dos sorrisos
o tanto que falamos
de tanto que passamos
as gotas choveram finas
passantes riram de canto
enquanto mudávamos de canto
alguns segredos cantei
depois de lágrimas que contei;
cheiro de grama cortada
cheia de grama, coitada
goles longos seguidos
de contatos prolongados
pela pele macia
do jeito que fazia
te sentir em mim
depois achei que me encontrei
e silenciei;
minha camisa ficou listrada
e sua face, rosada;
com roxo adocicado encontrou
o sabor pro seu odor
e se completou;
tonturas a parte
a parte dos sorrisos
o tanto que falamos
de tanto que passamos
as gotas choveram finas
passantes riram de canto
enquanto mudávamos de canto
alguns segredos cantei
depois de lágrimas que contei;
cheiro de grama cortada
cheia de grama, coitada
goles longos seguidos
de contatos prolongados
pela pele macia
do jeito que fazia
te sentir em mim
depois achei que me encontrei
e silenciei;
minha camisa ficou listrada
e sua face, rosada;
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oxe, grande massa de nada
enxarcada de coisa nenhuma
entupida de gestos recatados
com milhões de significados
rituais soam como tribunais
com meus dedos, tudo manchado
sobre a lenha, machado
e os livros, que mancada
me encho de reticências
engulo pedaços de mim
a seco - por fim
novas experiencias...
enxarcada de coisa nenhuma
entupida de gestos recatados
com milhões de significados
rituais soam como tribunais
com meus dedos, tudo manchado
sobre a lenha, machado
e os livros, que mancada
me encho de reticências
engulo pedaços de mim
a seco - por fim
novas experiencias...
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