21 de março de 2009

plantei sementes de vento
em nuvens de algodão
pra soprar o fim o verão
e poder chover com calma
enquanto decanto minha alma
Pétalas de sulfite,
brasas de grafite,
perfume vicioso.
A mão corre e tenta traduzir
o que o pensamento amorfo,
do terreno fértil de ideias,
suspira sem esforço.
Polinizo e cultivo:
nasce morto
outro broto de rabisco,
que no cemitério do pomar
enterrro pra adubar.

28 de janeiro de 2009

num minuto distraído
traído pela minha atenção
esqueço do mundo
me perco
num segundo nu

múltiplo segundo
múltiplo sê mundo

quem quer saber do ar
quem quer saber tragar
quem quer saber dos outros
quem quer saber do pouco que tem fora daqui
quem quer saber do espaço
que existe entre as coisas
ou vazio
dentro das coisas
quem quer saber do tempo
quem quer saber do lamento
quero só saber
de não saber de nada

nem escudo nem espada
nem estudo nem escala
nem tudo nem nada

quero esquecer do segundo
me perder num mundo
que o tempo seja mudo

20 de janeiro de 2009

Café

Café preto numa mesa
de madeira num sofá
vermelho. Açúcar, tá?

Expresso? Ah, bem que tento.

objeto

poe-
sia
é
que
nem
pensamento

sem
o
que
pen-
sar
pensamento

não
há.
Poe-
sia

tem se há

al-
go
que

pra
se poetar.