Campos de lírio, colher delírio
Colher de lírio nos campos de lírio
Campos de delírio, colher de delírio
Campos de lírio, o trem no trilho
Trem no trilho dos campos de delírio
Campos de lírio e o trem de delírio
Colher lírio na colher de delírio
Colher de delírio no trem de lírio
Trem de lírios nos campos de lírio
27 de maio de 2007
22 de maio de 2007
Insenso, café e sono
Insenso, insenso, insenso
Eu durmo, sonho e acordo querendo mais
Insenso, café e chá
Cigarro, café e Bob Dylan
Leio, risco e escrevo
Sono, sono, sono
Olheiras, cabelo sem lavar e reflexo cansado
Fogo no poema dadaista, risadas e amizades
Acordes dissonantes, televisão e céu sem estrelas
Insenso, insenso, insenso
Café, cigarros e preguiça
Sono, sonhos e cansaço
Vivo, morro e continuo continuando querendo e querendo
o meu alter ego anda meio morto desde que me mudei, mas ainda existo
Eu durmo, sonho e acordo querendo mais
Insenso, café e chá
Cigarro, café e Bob Dylan
Leio, risco e escrevo
Sono, sono, sono
Olheiras, cabelo sem lavar e reflexo cansado
Fogo no poema dadaista, risadas e amizades
Acordes dissonantes, televisão e céu sem estrelas
Insenso, insenso, insenso
Café, cigarros e preguiça
Sono, sonhos e cansaço
Vivo, morro e continuo continuando querendo e querendo
o meu alter ego anda meio morto desde que me mudei, mas ainda existo
28 de janeiro de 2007
O pobre pensante
Sendo decomposto, vivo, aos poucos pelos vermes do tédio, o pobre pensante ainda quer viver. Observa atento os nós desatados das ruas e os cantos mal pintados das cercas que protegem preciosas vidas, as quais não sabe se são melhores ou piores que a sua. Na angústia que sente, afirmava hesitante que são melhores, pois no seu poço, acha, é difícil descer mais. Tudo faz pensar e nada faz mudar.Sempre mudo, recrimina-se por pensar tanto e observar tudo; as pessoas mais felizes são as que não vêem que a vida não é boa ou não entendem que poderia ser melhor. Estéril alma presenteada com o dom da reflexão que não sabe achar respostas, e se as acha, não sabe usar. Marceneiro que maneja serrote e martelo e é incapaz de construir um simples baú.
Triste vida a do pensante. Parar de pensar não pode e mudar o jeito de ver as coisas não consegue. Enquanto não se decide, pega todos os dias o mesmo trem, trocando o mínimo de palavras que necessita e achando tudo muito chato.
Sentar no gramando, sentir o vento, apreciar as nuvens - sublimes, saborear o chá, sentir-se anestesiado pela música; é o que alimenta sua pobre alma. Alma essa que não cresce, nem crescerá, se não se levantar e atar os próprios nós, pintar as próprias cercas e perceber que sua vida também é preciosa. Enquanto isso, coitado, fica olhando os pássaros e pensando...
27 de janeiro de 2007
Enforcamento
Entre o limite do lúcido e do inconsciente, com olhos pesados e mente cansada,
sem saber se o que está imaginando é mesmo das linhas que tenta ler
ou fruto do profundo da mente que já revela fantasias dos desejos mudos,
sente-se estremecer e os pés suar, o corpo sem força para a devida atenção
Uma mão balança a cabeça e empurra para um querer sem poder
A visão, já embaçada; as imagens, fora de foco; e o segurar do livro exige mais força que os dedos têm
É o sono amarrando a corda no pescoço, logo logo será enforcado;
Chutado o apoio, assim como caem as pálpebras é derrubado
Mas nenhuma vértebra se rompe e a asfixia do sono não é definitiva
Talvez o laço não esteja tão firme ou a corda não tenha o exigido tamanho
De um susto, volta à linha que não foi terminada
Saber o que havia nas que a precediam, não com o pescoço laçado
Treze meias palavras adiante e outra queda, mais sufocante agora
Chega até a ver personagens sobre quem não lia discutirem sobre algo que pensava
Mas o que vê parece que não agrada, sem saber que as coisas são diferentes quando se está pendurado,
volta a respirar com um gemido involuntário
A execução dessa noite parece não querer proceder, talvez não seja mesmo a hora do pobre coitado;
Confusos os segundos que o laço se desata, o que foi o que não era
Os sentidos aguçados chocam a mente que suspira com dúvida
Levanta-se, a visão escurece e o corpo formiga, sente-se tonto
Mão à cabeça, deixa o livro que ainda segurava na estante
Aos poucos, linhas tomam forma e reconhece no espelho o próprio semblante
Imagina-se livre e acordado e se lança porta afora, impune;
sem saber se o que está imaginando é mesmo das linhas que tenta ler
ou fruto do profundo da mente que já revela fantasias dos desejos mudos,
sente-se estremecer e os pés suar, o corpo sem força para a devida atenção
Uma mão balança a cabeça e empurra para um querer sem poder
A visão, já embaçada; as imagens, fora de foco; e o segurar do livro exige mais força que os dedos têm
É o sono amarrando a corda no pescoço, logo logo será enforcado;
Chutado o apoio, assim como caem as pálpebras é derrubado
Mas nenhuma vértebra se rompe e a asfixia do sono não é definitiva
Talvez o laço não esteja tão firme ou a corda não tenha o exigido tamanho
De um susto, volta à linha que não foi terminada
Saber o que havia nas que a precediam, não com o pescoço laçado
Treze meias palavras adiante e outra queda, mais sufocante agora
Chega até a ver personagens sobre quem não lia discutirem sobre algo que pensava
Mas o que vê parece que não agrada, sem saber que as coisas são diferentes quando se está pendurado,
volta a respirar com um gemido involuntário
A execução dessa noite parece não querer proceder, talvez não seja mesmo a hora do pobre coitado;
Confusos os segundos que o laço se desata, o que foi o que não era
Os sentidos aguçados chocam a mente que suspira com dúvida
Levanta-se, a visão escurece e o corpo formiga, sente-se tonto
Mão à cabeça, deixa o livro que ainda segurava na estante
Aos poucos, linhas tomam forma e reconhece no espelho o próprio semblante
Imagina-se livre e acordado e se lança porta afora, impune;
22 de janeiro de 2007
O copo sob o foco
Compramos mais cerveja, pra encher a nossa mesa
De garrafas e de risadas
De histórias das mais canalhas
De soluços e de impulsos
Que seria da nossa mesa, se não fosse essa clareza
Que nos sustenta e nos aguenta
Que mantém nossa amizade de pé em sua base
Faz a gente se dar conta que existe
Qualquer coisa que persiste
Que sempre nos levanta
E depois a gente canta e a gente dança
Já vira história que a gente lembra toda hora
A gente ri e a gente chora
E repete toda hora
E me traz mais uma que aqui só tem espuma
De garrafas e de risadas
De histórias das mais canalhas
De soluços e de impulsos
Que seria da nossa mesa, se não fosse essa clareza
Que nos sustenta e nos aguenta
Que mantém nossa amizade de pé em sua base
Faz a gente se dar conta que existe
Qualquer coisa que persiste
Que sempre nos levanta
E depois a gente canta e a gente dança
Já vira história que a gente lembra toda hora
A gente ri e a gente chora
E repete toda hora
E me traz mais uma que aqui só tem espuma
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