28 de janeiro de 2009

num minuto distraído
traído pela minha atenção
esqueço do mundo
me perco
num segundo nu

múltiplo segundo
múltiplo sê mundo

quem quer saber do ar
quem quer saber tragar
quem quer saber dos outros
quem quer saber do pouco que tem fora daqui
quem quer saber do espaço
que existe entre as coisas
ou vazio
dentro das coisas
quem quer saber do tempo
quem quer saber do lamento
quero só saber
de não saber de nada

nem escudo nem espada
nem estudo nem escala
nem tudo nem nada

quero esquecer do segundo
me perder num mundo
que o tempo seja mudo

20 de janeiro de 2009

Café

Café preto numa mesa
de madeira num sofá
vermelho. Açúcar, tá?

Expresso? Ah, bem que tento.

objeto

poe-
sia
é
que
nem
pensamento

sem
o
que
pen-
sar
pensamento

não
há.
Poe-
sia

tem se há

al-
go
que

pra
se poetar.

19 de janeiro de 2009

Retórica de fim de tarde

A luz do fim do dia
A luz do fim de tarde
A luz do começo de noite
O quarto fica escuro
O céu fica mais claro
e brilha
Brilam as gotas presas
nos fios do varal
Gotas acesas
(de tarde choveu)
O sol acendeu
logo vai apagar
e passam os postes a iluminar
O dia que apagou
A noite que acendeu

verso de hoje

Parnasiano-Simbolista-Moderno
o verso hoje não é nada
pensa que tem verbo eterno
e não tem vergonha de não durar
nem até o fim do poema

tem um ou outro com meta (linguagem)
não é lá muito elegante
informal, jamais usaria um terno
vez ou outra se veste pós-moderno
(ouve todo tipo de música
se envolve com todo tipo de mulher
se apaixona
revoluciona
se enche de signos
e o significado esconde)

com uma bimbadinha sai cheio de rima
despojado - ou vagabundo - não se mede
mas sempre que o poeta pede tá lá
dançando como ele só
espontâneo e sem dó
(gente boa esse verso de hoje...)