21 de junho de 2007

Oh, sim

Dançando e cantanto a noite penetrando a música entrando explodindo e levitando sem nada pra preocupar vê os ossos saltitar o esqueto balançar o corpo requebrar o sangue palpitar o coração indicar com olhos a meditar ondas e ondas sentindo o que vem e vai em harmonia tudo é um e um é todo que se pode ser que mais se pode querer?

17 de junho de 2007

Onde fica o próximo bar? Mostre-me

Existencialismo barato à la Dadá
Café e cigarros (denovo)
Mente ociosa ou pensamentos significativos
Fome de mudança ou deixar tudo pra depois
Entendeu mesmo Morrison ou só gosta porque disseram que foi um ícone?
E vale a pena organizar um movimento?
Não é mais fácil ser orientado pelo carnaval?
Se o Pós moderno te deixou um escravo
Seja o melhor escravo que se possa ser
Vale a pena fugir disso?
Não seria tudo tudo uma grande futilidade?
Afinal, qual o ideal?
Alguém liga?
Se o objetivo maior é apenas rir
Ganha quem ri, e perde quem é o motivo dos risos
Muitas interrogações e uma exclamação me palpita o sangue
Não é bem isso...

27 de maio de 2007

Delírio de lírio

Campos de lírio, colher delírio
Colher de lírio nos campos de lírio
Campos de delírio, colher de delírio
Campos de lírio, o trem no trilho
Trem no trilho dos campos de delírio
Campos de lírio e o trem de delírio
Colher lírio na colher de delírio
Colher de delírio no trem de lírio
Trem de lírios nos campos de lírio

22 de maio de 2007

Insenso, café e sono

Insenso, insenso, insenso
Eu durmo, sonho e acordo querendo mais
Insenso, café e chá
Cigarro, café e Bob Dylan
Leio, risco e escrevo
Sono, sono, sono
Olheiras, cabelo sem lavar e reflexo cansado
Fogo no poema dadaista, risadas e amizades
Acordes dissonantes, televisão e céu sem estrelas
Insenso, insenso, insenso
Café, cigarros e preguiça
Sono, sonhos e cansaço
Vivo, morro e continuo continuando querendo e querendo


o meu alter ego anda meio morto desde que me mudei, mas ainda existo

28 de janeiro de 2007

O pobre pensante

Sendo decomposto, vivo, aos poucos pelos vermes do tédio, o pobre pensante ainda quer viver. Observa atento os nós desatados das ruas e os cantos mal pintados das cercas que protegem preciosas vidas, as quais não sabe se são melhores ou piores que a sua. Na angústia que sente, afirmava hesitante que são melhores, pois no seu poço, acha, é difícil descer mais. Tudo faz pensar e nada faz mudar.
Sempre mudo, recrimina-se por pensar tanto e observar tudo; as pessoas mais felizes são as que não vêem que a vida não é boa ou não entendem que poderia ser melhor. Estéril alma presenteada com o dom da reflexão que não sabe achar respostas, e se as acha, não sabe usar. Marceneiro que maneja serrote e martelo e é incapaz de construir um simples baú.
Triste vida a do pensante. Parar de pensar não pode e mudar o jeito de ver as coisas não consegue. Enquanto não se decide, pega todos os dias o mesmo trem, trocando o mínimo de palavras que necessita e achando tudo muito chato.
Sentar no gramando, sentir o vento, apreciar as nuvens - sublimes, saborear o chá, sentir-se anestesiado pela música; é o que alimenta sua pobre alma. Alma essa que não cresce, nem crescerá, se não se levantar e atar os próprios nós, pintar as próprias cercas e perceber que sua vida também é preciosa. Enquanto isso, coitado, fica olhando os pássaros e pensando...