aproveitem caixas pretas
que logo acaba o pretóleo
ao bem da verdade
só (a)provarão caixas verdes
6 de janeiro de 2012
relixo
daqui pra baixo tem muito lixo
assim como
daqui pra cima também tem
logo, daqui pra frente
relaxe, que provavelmente relixo
assim como
daqui pra cima também tem
logo, daqui pra frente
relaxe, que provavelmente relixo
3 de agosto de 2011
...
posso ver poesia ao olhar pro mundo
tanto quanto posso propor um mundo
e sugerir o olhar...
tanto quanto posso propor um mundo
e sugerir o olhar...
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27 de abril de 2011
reinventar
ventar de novo
vem tarde, denovo
mas desce, saboroso
se desse, toda hora
vem e vai, embora
por agora, me devora
vem tarde, denovo
mas desce, saboroso
se desse, toda hora
vem e vai, embora
por agora, me devora
riscar, rasgar, pensar
riscar, rasgar, pensar
o quê senão amar
se não amar
simplesmente
riscar, rasgar, pensar
o quê senão amar
se não amar
simplesmente
riscar, rasgar, pensar
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imagem
uma imagem de alto impacto
auto impactante
tão sucinta que suscita
mais e mais e coisas,
me ressuscita.
— que coisa!
— que coisa?
direto ao ponto.
de outro ponto.
e outro conto.
e contraponto.
e nunca pronto.
imagino e a refaço
e nem mais faço questão
de lembrar-me como era.
auto impactante
tão sucinta que suscita
mais e mais e coisas,
me ressuscita.
— que coisa!
— que coisa?
direto ao ponto.
de outro ponto.
e outro conto.
e contraponto.
e nunca pronto.
imagino e a refaço
e nem mais faço questão
de lembrar-me como era.
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muito bom
se chove ou chora
canta ou tenta
lembra ou não,
eu vejo
como é bom
(muito bom)
ter com quem,
ter alguém
canta ou tenta
lembra ou não,
eu vejo
como é bom
(muito bom)
ter com quem,
ter alguém
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mundo
o mundo gira muito
tanto gira o mundo
que tanto faz;
gira bêbado
até pro sóbrio;
e é capaz
- mudando a lua -
afunda a fé do sábio
junto com o pé do rapaz
(no que seria)
só um buraco no meio da rua.
tanto gira o mundo
que tanto faz;
gira bêbado
até pro sóbrio;
e é capaz
- mudando a lua -
afunda a fé do sábio
junto com o pé do rapaz
(no que seria)
só um buraco no meio da rua.
25 de maio de 2010
e agora, tom zé?
E agora, Tom Zé?
a festa nem começou
e o ingresso esgotou
3 shows em Curtiba
e a bilheteria inativa
Em duas horas, seu Zé
quase não botei fé
fiquei sem nome na lista
desesperança tropicalista
E agora, Tom Zé?
Não tem mais show
Não tem mais diversão
Astronauta ou qualquer bobagem
Distante como miragem
E agora, Tom Zé?
a festa nem começou
e o ingresso esgotou
3 shows em Curtiba
e a bilheteria inativa
Em duas horas, seu Zé
quase não botei fé
fiquei sem nome na lista
desesperança tropicalista
E agora, Tom Zé?
Não tem mais show
Não tem mais diversão
Astronauta ou qualquer bobagem
Distante como miragem
E agora, Tom Zé?
26 de abril de 2010
Anotações passageiras
Achei perdido em um caderno anotações datadas de 01/05/09. Faço pequenas alterações enquanto digito. Só pra não se perder:
Dia tipicamente curitibano:
frio e eu quis dormir mais.
Visto azul e escuro.
Camuflo na multidão agitada
e na arquitetura gelada
da rodoviária em dia de feriado (que feriado era mesmo?).
Em dias assim, os ônibus costumam lotar e eu dei sorte de conseguir uma vaga meia hora depois do horário que pretendia na segunda opção de empresa de viação.
Ela fica no fim do corredor e a fila sempre está maior, porque é única.
E agora me sobra meia hora à deriva.
Sento no corredor de espera.
A velhinha ao lado - 5 cadeiras de intervalo, já não recordo a face - ouve música ou rádio com fones do celular.
Duas mulheres passam a ocupar as cadeiras do intervalo.
Uma delas grávida.
Carregam grandes sacolas e folheam revistas de fofoca e novela.
Uma moça - 20 e poucos - me aborda com face e voz.
Melancólica, me chamando senhor e pedindo ajuda.
Alego ter gasto toda grana com a passagem (sei não...), ela sai estantaneamente.
Passam dúzias. Preocupados, pensativos, analíticos ou só percebendo.
Um tipo de figurante muito comum que nunca mais verei e cumpre sua função anônima de passar, andando.
Passam os que esperam embarque,
passam os que esperam desembarque,
passam os funcionários das empresas de viação,
passam os carregadores de bagagem,
passam os que querem pedir
ou precisam
passa o velho vasculhando vasos e o lixo
passam crianças, jovens, adultos
e já passaram 15 minutos -
há grandes relógios no decorrer do grande corredor.
O carregador de bagagem troca xingamentos com alguém que não consigo ver por causa da porta que não fecha:
"Olha o patrimônio da URBS, Babaca"
"Traia..."
A voz mecânica anuncia as últimas chamadas.
Sempre que faz isso um novo cardume passa apressado.
Há ainda degustadores de coxinhas gordurosas,
uns que passam me olhando: "Tá escrevendo?".
Só faltam 10 minutos e eu agora: embarcar.
Dia tipicamente curitibano:
frio e eu quis dormir mais.
Visto azul e escuro.
Camuflo na multidão agitada
e na arquitetura gelada
da rodoviária em dia de feriado (que feriado era mesmo?).
Em dias assim, os ônibus costumam lotar e eu dei sorte de conseguir uma vaga meia hora depois do horário que pretendia na segunda opção de empresa de viação.
Ela fica no fim do corredor e a fila sempre está maior, porque é única.
E agora me sobra meia hora à deriva.
Sento no corredor de espera.
A velhinha ao lado - 5 cadeiras de intervalo, já não recordo a face - ouve música ou rádio com fones do celular.
Duas mulheres passam a ocupar as cadeiras do intervalo.
Uma delas grávida.
Carregam grandes sacolas e folheam revistas de fofoca e novela.
Uma moça - 20 e poucos - me aborda com face e voz.
Melancólica, me chamando senhor e pedindo ajuda.
Alego ter gasto toda grana com a passagem (sei não...), ela sai estantaneamente.
Passam dúzias. Preocupados, pensativos, analíticos ou só percebendo.
Um tipo de figurante muito comum que nunca mais verei e cumpre sua função anônima de passar, andando.
Passam os que esperam embarque,
passam os que esperam desembarque,
passam os funcionários das empresas de viação,
passam os carregadores de bagagem,
passam os que querem pedir
ou precisam
passa o velho vasculhando vasos e o lixo
passam crianças, jovens, adultos
e já passaram 15 minutos -
há grandes relógios no decorrer do grande corredor.
O carregador de bagagem troca xingamentos com alguém que não consigo ver por causa da porta que não fecha:
"Olha o patrimônio da URBS, Babaca"
"Traia..."
A voz mecânica anuncia as últimas chamadas.
Sempre que faz isso um novo cardume passa apressado.
Há ainda degustadores de coxinhas gordurosas,
uns que passam me olhando: "Tá escrevendo?".
Só faltam 10 minutos e eu agora: embarcar.
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25 de abril de 2010
Situação anêmona
situação anêmona/anemoníaca
tem máculas, tentáculos
marasmo e heresia/maresia
insalubre e lúgubre
tempo ósseo/ocioso
a vida toda muda
imóvel sem falar
ou mover-se, danoso
...
danou-se o peixe/palhaço
pobre parece preso
pela predadora perigosa
ou não: prestando atenção:
de antepasso o peixe sabia
que sendo palhaço se protegia
e caia na graça do séssil
salvando-se de ser fóssil
tem máculas, tentáculos
marasmo e heresia/maresia
insalubre e lúgubre
tempo ósseo/ocioso
a vida toda muda
imóvel sem falar
ou mover-se, danoso
...
danou-se o peixe/palhaço
pobre parece preso
pela predadora perigosa
ou não: prestando atenção:
de antepasso o peixe sabia
que sendo palhaço se protegia
e caia na graça do séssil
salvando-se de ser fóssil
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Joia
quero um mundo para mim
viver poesia e coisa afim
cor, batuque, referência
sem fim
rir grátis, de nada obrigado
rir práxis, de tudo, embriagado
hoje em dia-a-dia
a manhã de amanhã
uma boa tarde sã
que eu dormia
sempre, sem pressa
a mais nova cria: são
tempos difíceis de
conversa, depressa
muito blablablá
que não me interessa:
compilação de pinóia
com puta razão
prefiro permanecer
jooooooooooooooia
viver poesia e coisa afim
cor, batuque, referência
sem fim
rir grátis, de nada obrigado
rir práxis, de tudo, embriagado
hoje em dia-a-dia
a manhã de amanhã
uma boa tarde sã
que eu dormia
sempre, sem pressa
a mais nova cria: são
tempos difíceis de
conversa, depressa
muito blablablá
que não me interessa:
compilação de pinóia
com puta razão
prefiro permanecer
jooooooooooooooia
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22 de abril de 2010
porra, as moscas
da minha louça
suja, sujas, sujo
encomodam, toscas
desapareceram, finjo
nada...ainda estão, todas
voando, loucas
pela sujeira da minha louça
da minha louça
suja, sujas, sujo
encomodam, toscas
desapareceram, finjo
nada...ainda estão, todas
voando, loucas
pela sujeira da minha louça
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caracol
lesmando a calçada
se manda, sem nada
que eu veja além
de torrar no sol
sem lamento
câmera lenta
no aconchego da concha
concha? casca, espiral
muito bonita por sinal
encosta a casa nas costas
e veja só: não precisa de aspirador de pó
às vezes eu me identifico com um caracol
lesmando a calçada
se manda, sem nada
que eu veja além
de torrar no sol
sem lamento
câmera lenta
no aconchego da concha
concha? casca, espiral
muito bonita por sinal
encosta a casa nas costas
e veja só: não precisa de aspirador de pó
às vezes eu me identifico com um caracol
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3 de fevereiro de 2010
Joe e as baratas
Joe e as baratas foram almoçar
no chão da sala de estar
Quanta merda retirada das ruas e calçadas
"Delas tendem a nascer coisas belas", disse então Rodnei Baratão
Cine trash Pop B a tarde na tevê...
Joe correndo contra o tempo atrás do jardim que se perdeu no beco
Tudo desabou
E as baratas mutualisticamente cooperando em stop motion reegueram o jardim de Lili
Joe e Lili agora podem amar e as baratas tem seu lar-doce-lar.
no chão da sala de estar
Quanta merda retirada das ruas e calçadas
"Delas tendem a nascer coisas belas", disse então Rodnei Baratão
Cine trash Pop B a tarde na tevê...
Joe correndo contra o tempo atrás do jardim que se perdeu no beco
Tudo desabou
E as baratas mutualisticamente cooperando em stop motion reegueram o jardim de Lili
Joe e Lili agora podem amar e as baratas tem seu lar-doce-lar.
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2 de fevereiro de 2010
rocambole de feijão
seus argumentos estão
saturados de gordura trans
transmitindo momentos
de aflição
minha mãe que assistiu
o piá que se entupiu
de batata frita se fritou
sem feijão não tem
bucho que aguente
nem bicho que se sustente
seu sotaque crocante
palavriado doce
(antes fosse)
não diz nada de importante
hidrogenada nada nada não
estragou-me a refeição
temperamento agressivo
eloquente discursivo
afobamento agudo
fala sem fim come só meio
e eu ficando barrigudo
e de saco cheio
saturados de gordura trans
transmitindo momentos
de aflição
minha mãe que assistiu
o piá que se entupiu
de batata frita se fritou
sem feijão não tem
bucho que aguente
nem bicho que se sustente
seu sotaque crocante
palavriado doce
(antes fosse)
não diz nada de importante
hidrogenada nada nada não
estragou-me a refeição
temperamento agressivo
eloquente discursivo
afobamento agudo
fala sem fim come só meio
e eu ficando barrigudo
e de saco cheio
28 de dezembro de 2009
recortes - xerox e posia

O projeto inicialmente intitulado "poesia de nossas dias", sobre o qual estive um tempo procurando interessados em contribuir com poemas está agora finalizado.
Foram produzidos 50 volumes do livreto, chamado "Recortes - xerox e poesia", que serão vendidos à bagatela de 1 real para custear os xerox. Estes exemplares serão levados ao festival psicodália de ano novo.
Futuramente mais informações em recortesxeroxepoesia.blogspot.com
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nota
10 de outubro de 2009
alguém pode me dizer
pra que gastar a vida cortando papel
ou correndo atrés da aluguel
pra pagar em dia
nossos velhos cliches em heresia
se reciclando e nos convencendo
(pensando enquanto correndo
sob o sol ou chuva que fazia - tanto faz o dia)
do que é preciso
mas o que eu preciso?
não sei ao certo porque não tive tempo de pensar
usei meu tempo pra pensar
no trabalho que tinha pra entregar
ou no que tinha pra arruamar
(são sempre as mesmas rimas de sempre)
(me enrolo na minha própria serpende)
meu, oh meu bem
não fiz banda e nem carreira
sou refém de mim
e de uma suposta vida sou afim
que tal então tomar quentão
e procurar quebrar/uma nova rima achar
porque (e você a essa altura já deve saber)
tá foda
só no almoço tomar uma soda pra relaxar
com essa história de desse-por-satisfeto-com-o-rocambole-de-queijo
no máximo posso não me lebrar de estupefar
mas poxa, quero a tal falada
moragada a beira da brasa
(?)
enfim
pra que gastar a vida cortando papel
ou correndo atrés da aluguel
pra pagar em dia
nossos velhos cliches em heresia
se reciclando e nos convencendo
(pensando enquanto correndo
sob o sol ou chuva que fazia - tanto faz o dia)
do que é preciso
mas o que eu preciso?
não sei ao certo porque não tive tempo de pensar
usei meu tempo pra pensar
no trabalho que tinha pra entregar
ou no que tinha pra arruamar
(são sempre as mesmas rimas de sempre)
(me enrolo na minha própria serpende)
meu, oh meu bem
não fiz banda e nem carreira
sou refém de mim
e de uma suposta vida sou afim
que tal então tomar quentão
e procurar quebrar/uma nova rima achar
porque (e você a essa altura já deve saber)
tá foda
só no almoço tomar uma soda pra relaxar
com essa história de desse-por-satisfeto-com-o-rocambole-de-queijo
no máximo posso não me lebrar de estupefar
mas poxa, quero a tal falada
moragada a beira da brasa
(?)
enfim
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